{"id":196,"date":"2012-12-19T05:39:41","date_gmt":"2012-12-19T05:39:41","guid":{"rendered":"http:\/\/muzenza.com.br\/2013\/?page_id=196"},"modified":"2022-01-30T00:49:24","modified_gmt":"2022-01-30T03:49:24","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/muzenza.com.br\/site\/historia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row header_feature=&#8221;yes&#8221;][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text]D\u00e1-se o nome de <strong>Capoeira<\/strong>, a um jogo de destreza que tem as suas origens &#8220;remotas&#8221; em Angola. Era antes uma forma de luta muito valiosa na defesa da liberdade de fato ou de direito do negro liberto, mas tanto a repress\u00e3o policial quanto as novas condi\u00e7\u00f5es sociais fizeram com que, \u00e0 cerca de cem anos, se tornasse finalmente um jogo, uma vadia\u00e7\u00e3o entre amigos. Com esse car\u00e1ter inocente, a capoeira permanece em todos os estados do Brasil.<\/p>\n<p>Tratava-se de um combate singular em que os &#8220;moleques de Sinh\u00e1&#8221;, apenas demonstravam sua capacidade de ataque e defesa sem, contudo, atingir efectivamente os oponentes. Foi durante a escravid\u00e3o que o jogo de Angola come\u00e7ou a crescer e chegou \u00e0 maioridade no Brasil.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o \u00e9 intermin\u00e1vel: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanistas ainda buscam respostas para a seguinte quest\u00e3o: &#8221; A capoeira \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o africana ou brasileira? &#8221; Teria sido uma cria\u00e7\u00e3o do escravo com fome de liberdade ? Ou inven\u00e7\u00e3o do ind\u00edgena? As opini\u00f5es tendem para o lado brasileiro, e aqui v\u00e3o alguns exemplos: no livro &#8220;A Arte da Gram\u00e1tica de l\u00edngua mais usada na Costa do Brasil&#8221; do Padre Jos\u00e9 de Anchieta, editado em 1595, h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o de que &#8220;os \u00edndios Tupi-Guarani, divertiam-se jogando capoeira&#8221;. Guilherme de Almeida no livro &#8220;M\u00fasica no Brasil&#8221;, sustenta serem ind\u00edgenas as ra\u00edzes da capoeira. O navegador Portugu\u00eas Martim Afonso de Sousa, observou tribos jogando capoeira. Como se n\u00e3o bastasse, a palavra &#8220;capoeria&#8221; ( CA\u00c1PU\u00c9RA ) \u00e9 um voc\u00e1bulo Tupi-guarani, que significa &#8220;mato ralo&#8221; ou &#8220;mato que foi cortado&#8221;.<\/p>\n<p>Num trabalho que foi publicado pela XEROX do Brasil, o professor austr\u00edaco Gerhard Kubik, antrop\u00f3logo e membro da associa\u00e7\u00e3o mundial de folclore e profundo conhecedor de assuntos africanos, diz estranhar &#8221; que o brasileiro chame capoeira de Angola, quando ali n\u00e3o existe nada semelhante&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o estudioso Waldeloir Rego, que escreveu o que foi considerado o melhor trabalho sobre este jogo, defende a tese de que a capoeira foi inventada no Brasil. Brasil Gerson, historiador das ruas do Rio de Janeiro, acha que o jogo nasceu no mercado, quando os escravos chegavam com cesto (capoeira) de aves na cabe\u00e7a e at\u00e9 serem atendidos, ficavam brincando de lutar, surgindo da\u00ed a verdadeira capoeira. Antenor Nascente, diz que a luta da capoeira est\u00e1 ligada \u00e0 ave Uru (odontophorus capueira-spix), cujo macho \u00e9 muito ciumento e trava lutas violentas com o rival que ousa entrar em seus dom\u00ednios (os movimentos da luta se assemelham aos da capoeira). Por fim, C\u00e2mara Cascudo, afirma &#8220;ter sido trazida pelos banto-congo-angoleses que praticavam dan\u00e7as lit\u00fargicas ao som de instrumentos de percuss\u00e3o&#8221; transformando-se em lutas aqui, no Brasil, devido \u00e0 necessidade de defesa destes negros!<\/p>\n<p>Ouviu-se falar de capoeira pela primeira vez, durante as invas\u00f5es holandesas de 1624, quando os escravos e \u00edndios, (as duas primeiras v\u00edtimas da coloniza\u00e7\u00e3o), aproveitando-se da confus\u00e3o gerada, fugiram para as matas. Os negros criaram os Quilombos, entre os quais o mais famoso Palmares, cujo l\u00edder foi Zumbi, guerreiro e estrategista invenc\u00edvel diz a lenda, diz ter sido capoeira. Ap\u00f3s esta \u00e9poca, houve um per\u00edodo obscuro e no renascimento do s\u00e9culo XIX, transformou-se em um fen\u00f4meno social, que tomou conta de centros urbanos como o Rio de Janeiro, Salvador e Recife.<\/p>\n<p>As maltas de capoeiristas inquietavam os cidad\u00e3os pacatos do Rio de Janeiro, e se tornavam um problema para os vice-reis.<\/p>\n<p>Espalhavam-se pela cidade, acabando com festas, colocando a pol\u00edcia para correr, tirando a teima dos valent\u00f5es&#8230; defendiam sua prec\u00e1ria liberdade, ora empregando apenas agilidade muscular, ora valendo-se de cacetes de facas. Foi ent\u00e3o que apareceu o major Vidigal, chefe da pol\u00edcia do Rio de Janeiro, nos come\u00e7os do s\u00e9culo XX: um diabo de homem que parecia estar em toda a parte com seus granadeiros armados de longos chicotes, protegidos pela dist\u00e2ncia na qual mantinham os capoeiristas e os podiam ofender a salvo.<\/p>\n<p>A literatura de Machado de Assis e a arte de Debret, registravam a presen\u00e7a da capoeira nos costumes da \u00e9poca. Os capoeiristas viviam em &#8220;maltas&#8221;, verdadeiros bandos que recebiam apelidos como &#8220;guaiamus&#8221; ou &#8220;nag\u00f4s&#8221;. As &#8220;maltas&#8221;, tiveram participa\u00e7\u00e3o ativa em fatos hist\u00f3ricos como: a revolta dos mercen\u00e1rios (soldados estrangeiros contratados para a guerra do Paraguai se rebelaram e foram recha\u00e7ados pelos capoeiristas), nas escaramu\u00e7as entre monarquistas e republicanos e at\u00e9 na Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. As maltas da Bahia foram desorganizadas por ocasi\u00e3o da guerra do Paraguai: o governo da prov\u00edncia, recrutou a for\u00e7a dos capoeiras, que fez seguir para o sul como &#8220;volunt\u00e1rios da p\u00e1tria&#8221;.<\/p>\n<p>Manuel Querino, conta que muitos deles se distinguiram por atos de bravura no campo de batalha. Quando brigavam entre si, o grito de guerra assustava os estanhos ao ramo: &#8220;f\u00eacha, f\u00eacha!&#8221; significava o in\u00edcio de briga e ai de quem estivesse por perto.<\/p>\n<p>Consta que a guarda pessoal de Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio e do pr\u00f3prio imperador de D. Pedro I, era formada por capoeiristas. Esse prest\u00edgio come\u00e7ou a cair com as leis abolicionistas: sem aptid\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie, uma massa humana disputava mercados de trabalho inexistentes. O jogo corporificou-se como institui\u00e7\u00e3o perniciosa e sua extin\u00e7\u00e3o passou a ser a palavra de ordem. As maltas converteram-se em grupos poderosos de prote\u00e7\u00e3o a neg\u00f3cios escusos e \u00e0 aud\u00e1cia culminou com Decreto-lei 487, decretado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em 1890: a partir do dia 11 de outubro, todo o capoeirista pego em flagrante seria desterrado para a Ilha Fernando de Noronha por um per\u00edodo de seis meses.<\/p>\n<p>Ainda assim, a capoeira mostrou sua for\u00e7a: ao ser detido um de seus mais tem\u00edveis praticantes, o nobre portugu\u00eas Jos\u00e9 El\u00edsio dos Reis ( Juca Reis ), preso por Sampaio Ferraz. O governo republicano sofreu sua primeira crise ministerial. Juca Reis era nada menos do que irm\u00e3o do Conde de Matosinhos, dono do jornal &#8220;O Pa\u00eds&#8221;, o mais ferrenho defensor da causa republicana. Nas p\u00e1ginas do jornal, Quintino Bocai\u00fava defendeu com unhas e dentes a liberdade de Juca e o governo do Marechal foi obrigado a voltar atr\u00e1s: ele acabou retornando para Portugal.<\/p>\n<p>O mais famoso dos capoeiristas nacionais era natural de Santo Amaro, na zona canavieira da Bahia, e tinha os apelidos de Besouro Venenoso e Mangang\u00e1. Era invenc\u00edvel e inigual\u00e1vel. Ainda hoje as chulas da capoeira cantam suas proezas lend\u00e1rias. A hora final chegou para as maltas do Recife mais ou menos em 1912, coincidindo com o nascimento do Passo do frevo, legado da capoeira.<\/p>\n<p><strong>A Ressurei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O decreto-lei 487, acabou temporariamente com a capoeira. Muitos de seus adeptos permaneceram exilados em S\u00e3o Paulo, no interior, participando de trabalhos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>Mestre Bimba, \u00e9 considerado o pai da capoeira moderna, n\u00e3o s\u00f3 por ter atuado decisivamente na liberta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por ter sido o primeiro a dar-lhe uma did\u00e1tica e ensinar em recinto fechado. Mestre Bimba criou o estilo &#8220;Regional&#8221;. O estilo &#8220;Angola&#8221; teve em Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, seu mais digno representante.<\/p>\n<p>Hoje, a capoeira n\u00e3o \u00e9 mais privil\u00e9gio da Bahia ou do Rio de Janeiro, tendo se espalhado por todo o Brasil com grande aceita\u00e7\u00e3o. Tornou-se um esporte competitivo, segundo a resolu\u00e7\u00e3o do conselho Nacional de Desportos, em 1972. No exterior j\u00e1 se praticava em mais de 60 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A m\u00fasica faz-se notar com grande influ\u00eancia na capoeira. Poucas s\u00e3o as lutas ou muito raras aquelas que tem suas evolu\u00e7\u00f5es marciais interligadas aos sons de instrumentos.<\/p>\n<p>A capoeira tem em seu conceito de arte marcial, afinidades que chegam quase a ser uma necessidade musical.<\/p>\n<p>Sons de percuss\u00e3o dando um ritmo ao corpo, que com as vibra\u00e7\u00f5es sonoras anima-se ao ponto tal estudiosos j\u00e1 aceitam que o som usado na capoeira, provoca rea\u00e7\u00f5es conscientes e inconscientes de for\u00e7a no capoeira.<\/p>\n<p>O capoeira entrega seu corpo e mente \u00e0quele som, com grande interpreta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e express\u00e3o corporal. Juntos, os dois conseguem na capoeira, um resultado fascinante, onde a musicalidade \u00e9 parte fundamental no conjunto da luta. A m\u00fasica traz a uma roda de capoeira, muita for\u00e7a psicol\u00f3gica, uma uni\u00e3o de todos aqueles que dela participam. Dessa uni\u00e3o a for\u00e7a de pensamento interna de cada um traz uma emo\u00e7\u00e3o forte e vibrante aquela roda. Em contra partida, uma mesma roda de capoeira sem m\u00fasica ou outro som, n\u00e3o desperta a mesma motiva\u00e7\u00e3o, deixando seus participantes menos excitados e at\u00e9 mesmo desconcentrados.<\/p>\n<p>As letras das m\u00fasicas, em sua maioria simples, falando dos escravos, das senzalas, da liberdade oprimida&#8230; mas se interpretadas com o sentimento que transmitem, muitas delas trazem alguma ou muita emo\u00e7\u00e3o a quem canta, e a quem ouve.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8220;<strong>Praticar capoeira, \u00e9 uma das formas mais simples de expressar o desejo de ser livre nos movimentos, e de ser brasileiro de fato<\/strong>&#8221;<\/p>\n<p>Mestre Burgu\u00eas[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row header_feature=&#8221;yes&#8221;][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text]D\u00e1-se o nome de Capoeira, a um jogo de destreza que tem as suas origens &#8220;remotas&#8221; em Angola. 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