{"id":289,"date":"2013-01-12T04:28:51","date_gmt":"2013-01-12T04:28:51","guid":{"rendered":"http:\/\/muzenza.com.br\/2013\/?page_id=289"},"modified":"2020-08-08T17:31:55","modified_gmt":"2020-08-08T20:31:55","slug":"o-mestre","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/muzenza.com.br\/site\/o-mestre\/","title":{"rendered":"O Mestre"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div id=\"attachment_13000\" style=\"width: 204px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13000\" class=\"size-full wp-image-13000\" src=\"https:\/\/muzenza.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fotomestre01-194x300.jpg\" alt=\"Mestre Burgu\u00eas\" width=\"194\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-13000\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Burgu\u00eas<\/p><\/div>\n<p>MESTRE BURGU\u00caS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonio Carlos de Menezes, o Mestre Burgu\u00eas, nasceu no dia 06 de setembro de 1955 na cidade de Laranjeiras, Sergipe. No entanto, \u00e9 sergipano apenas por este fato: n\u00e3o passa sua inf\u00e2ncia na terra natal, mas sim no Rio de Janeiro, emigrando a fam\u00edlia para a capital fluminense quando ele estava com apenas tr\u00eas meses de vida. L\u00e1, fixam moradia nas redondezas da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, anexa ao Morro do Alem\u00e3o. Esta proximidade fez com que sempre estivesse envolvido com o samba. A capoeira tamb\u00e9m era presente neste espa\u00e7o, levando a seu encantamento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea ouve o berimbau, \u00e9 uma coisa que \u00e9 contagiante. E o sangue do nordestino tamb\u00e9m, isso tudo acho que influencia muito. E a Capoeira foi a minha paix\u00e3o, vi a primeira vez e fiquei louco. Falei \u00e9 isso que eu quero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dificuldades financeiras enfrentadas pela fam\u00edlia, aliadas ao preconceito dos pais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Capoeira &#8211; pensada por eles como coisa de negro e marginal- impedia o pagamento de aulas desta arte-luta, levando a que o Mestre, quando com cerca de doze anos, recorresse a um livro intitulado &#8220;Capoeira sem Mestre&#8221;, publicado pela Edi\u00e7\u00f5es de Ouro, a fim de realizar seus primeiros treinamentos. Com o amigo Nelson, que j\u00e1 tinha pequena experi\u00eancia na \u00e1rea, observavam no livro as ilustra\u00e7\u00f5es dos movimentos e tentavam repet\u00ed-Ios. Nesse mesmo per\u00edodo, os dois amigos come\u00e7aram a assistir rodas de capoeira no bairro de Ramos, onde conheceram Mestre Paul\u00e3o. Vislumbraram a possibilidade de sair da mera repeti\u00e7\u00e3o dos movimentos do livro para o treinamento mais sistem\u00e1tico, com orienta\u00e7\u00e3o, em academia. Mestre Burgu\u00eas a fim de viabilizar o projeto de adolescente (tinha ent\u00e3o quatorze anos), passou um tempo juntando garrafas, cobre e chumbo, e assim reuniu o dinheiro para pagar as tr\u00eas primeiras mensalidades. Garantia, desta maneira, um tempo mais longo de treinamento, afastando o risco de precisar interromp\u00ea-Io por falta de recursos. Curiosamente, este fato lhe rende o apelido que carregar\u00e1 por toda a vida, Burgu\u00eas, recebendo Nelson o de Conde. Passados os tr\u00eas primeiros meses, os dois &#8220;ricos meninos pobres&#8221; negociam a possibilidade de continuar na academia atrav\u00e9s da troca dos treinamentos por servi\u00e7os de limpeza e cuidados do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mestre Paul\u00e3o foi, para Burgu\u00eas, o \u00fanico Mestre de sua vida. Ao abordar sua linhagem na Capoeira, ele explica que \u00e9 neto de Mestre Mentirinha, o irm\u00e3o de Mestre Paul\u00e3o que foi respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o deste, e que era conhecido tamb\u00e9m como ex\u00edmio tocador de berimbau. Mestre Mentirinha, por sua vez, vinculava-se \u00e0 escola de Mestre Paran\u00e1 &#8211; uma das tr\u00eas escolas respons\u00e1veis por retomar a capoeira no Rio de Janeiro, na d\u00e9cada de 1950. O que ocorre segundo o modelo baiano, ap\u00f3s o fim da criminaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica instaurado no in\u00edcio da Rep\u00fablica &#8211; retomada necess\u00e1ria devido \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o ter praticamente dizimado a Capoeira carioca. Ao abordar a tem\u00e1tica, Burgu\u00eas aponta as duas outras escolas com influ\u00eancia baiana na Capoeira do Rio, na d\u00e9cada de 1950, como a do Mestre Artur Em\u00eddio (tamb\u00e9m lutador de vale tudo) e a do Mestre M\u00e1rio Buscap\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1975, convidado por um amigo que j\u00e1 era professor em Curitiba, Burgu\u00eas vem para a capital paranaense, local onde reside por d\u00e9cadas. Os primeiros tempos n\u00e3o s\u00e3o nada f\u00e1ceis, sendo necess\u00e1rio um esfor\u00e7o significativo para que a arte\/jogo\/luta fosse conhecida e reconhecida pelos curitibanos. Mas paulatinamente a Capoeira ganha espa\u00e7o na cidade e as condi\u00e7\u00f5es melhoram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tinha um amigo que j\u00e1 estava dando aula aqui, chamava Monsueto, que era do Rio de Janeiro. E vim para c\u00e1 com a cara e a coragem, somente com a passagem de vinda para Curitiba, e acabei ficando aqui. Passei muitas dificuldades tais como fome, frio. Passei mais de seis meses aqui comendo s\u00f3 banana, foi um sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro local onde eu comecei a ministrar aulas foi na Galeria Ritz: Centro de Artes Orientais, do Prof. Akira Tanigushi. Neste per\u00edodo eu morava dentro da academia por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es financeiras. Passava os finais de semana trancado escondido na academia, desde sexta-feira a noite at\u00e9 a segunda-feira, devido ao fato de que o pr\u00e9dio era comercial e s\u00f3 abria durante a semana.<br \/>\nQuanto ao ensino de Capoeira na cidade trabalhou muito para a divulga\u00e7\u00e3o da Capoeira,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">conforme o pr\u00f3prio Mestre afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha trajet\u00f3ria aqui come\u00e7ou assim, trabalhando, com muita dificuldade. S\u00f3 existia um mestre na cidade. J\u00e1 estava aqui antes, chegou aqui uns dois anos antes de mim. Ele \u00e9 o mais antigo. E lutamos muito aqui, fizemos muita roda na rua para poder divulgar &#8230; Sa\u00eda na rua, todo mundo perguntava que era aquilo que a gente andava na m\u00e3o, se era uma vara de pescar, se era um cachimbo &#8230; Ent\u00e3o realmente, quando eu cheguei a popula\u00e7\u00e3o de Curitiba era seiscentos mil habitantes e quase n\u00e3o existia negros na cidade, era uma dificuldade. Era muito estranho para mim que vim do Rio, onde tinha muitos negros. Fazia roda de Capoeira s\u00f3 com brancos. Segundo Mestre Burgu\u00eas, Curitiba \u00e9 o local que lhe d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de consolidar o seu grupo, hoje presente em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Mesmo com os in\u00fameros empecilhos enfrentados, a chance de dar aulas em academia foi o que o manteve na cidade. Resistindo inclusive, nas \u00e9pocas dif\u00edceis, a convites de amigos para ir embora &#8211; como aconteceu com um grupo de shows vinculado a Ivon Cury que passou por aqui, e do qual fazia parte seu amigo Mestre Edvaldo Baiano. Em seu relato, sua hist\u00f3ria se mescla \u00e0 do Grupo Muzenza, por ele consolidado a partir de sua atua\u00e7\u00e3o em Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este, contudo, n\u00e3o se iniciou na capital paranaense: foi fundado por Mestre Paul\u00e3o, ainda no Rio de Janeiro. Oriundo do grupo de Mestre Mintirinha, Capoarte Filhos de Obalua\u00ea, passa \u00e0 presid\u00eancia para Mestre Burgu\u00eas ap\u00f3s o ingresso de seu Mestre na Marinha. E \u00e9 no Paran\u00e1 que se fortalece, inicialmente denominado Netos da Muzenza e, posteriormente, apenas Muzenza &#8211; tanto que o pr\u00f3prio Mestre, mesmo nordestino e atualmente residindo na capital fluminense, \u00e9 ainda identificado como sendo do Paran\u00e1. Suas palavras sintetizam a trajet\u00f3ria do grupo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguei aqui e comecei &#8230; fiquei um bom tempo dando aula para dois alunos , e um desses alunos \u00e9 que me ajudava na minha alimenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ganhava dinheiro nem pra comer. E fui crescendo, divulgando muito a Capoeira. Ia \u00e0s ruas de madrugada colar cartazes na rua e panfletava na porta de col\u00e9gios. E fazia muita roda na rua, sozinho \u00e0s vezes. Tinha que fazer exibi\u00e7\u00f5es sozinho para tentar trazer alunos, ganhar adeptos. E a coisa foi crescendo, devagarzinho, devagarzinho. Depois mais tarde abri um n\u00facleo em Foz do Igua\u00e7u. Foi o primeiro n\u00facleo que eu tive. Come\u00e7ou a crescer a n\u00edvel estadual, comecei a ter uma repercuss\u00e3o a n\u00edvel nacional, capoeiristas de outros estados passaram a me procurar para serem meus alunos. Hoje temos filiais em todos os estados do Brasil e em 49 pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ressaltar a discrimina\u00e7\u00e3o e as dificuldades enfrentadas pela Capoeira neste per\u00edodo, Mestre Burgu\u00eas relata como foi conquistando espa\u00e7o e expandindo seu trabalho. Em um primeiro momento, seus alunos eram adultos, trabalhadores e estudantes, sendo o p\u00fablico infantil praticamente inexistente. Ap\u00f3s algum tempo de atividade na Galeria Ritz, consegue inserir a pr\u00e1tica tamb\u00e9m em diversos espa\u00e7os da capital paranaense, tais como o Clube Curitibano, o Graciosa Country Clube, em quart\u00e9is militares, em comunidades carentes. Fez, ainda, trabalho com a comunidade negra, contribuindo para o in\u00edcio e crescimento do movimento negro na cidade: juntamente com Charr\u00e3o, presidente da Escola de Samba Mocidade Azul, passam a comemorar o dia de Zumbi reunindo samba, Capoeira e dan\u00e7as folcl\u00f3ricas do nordeste, como maculel\u00ea e puxada de rede. Apresentam-se no carnaval, participando das Escolas de Samba Colorado, Mocidade Azul e Sapol\u00e2ndia, com a forma\u00e7\u00e3o da ala da Capoeira em cada uma delas &#8211; A arte\/jogo\/luta estava presente, segundo ele, em todos os segmentos da cultura negra de maneira significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As atividades do Grupo Muzenza n\u00e3o se limitavam \u00e0s aulas. Come\u00e7aram a organizar, a partir da d\u00e9cada de 1980, grandes eventos de Capoeira, transformados depois em filmes, revistas, materiais de divulga\u00e7\u00e3o. Este material torna a Capoeira de Curitiba reconhecida nacionalmente embora o Mestre afirma das dificuldades de se obter apoio p\u00fablico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sempre procurei trabalhar profissionalmente, sem amadorismo. Eu acho que as coisas acontecem, quem trabalha direito acaba tendo reconhecimento. Sempre fiz grandes eventos aqui em Curitiba, que toda a comunidade gostava, muitos mestres eram loucos para virem nos meus eventos aqui. Os meus eventos come\u00e7aram a ter destaque n\u00e3o apenas nacional, mas a n\u00edvel internacional. E foram eventos que eram filmados, passados para DVD, sa\u00edram em bancas de jornais. Eu divulguei muito a cidade tamb\u00e9m. Curitiba ficou super conhecida pela Capoeira. Eu fiz muitos eventos grand\u00edssimos aqui, com grandes p\u00fablicos, mais de duas, tr\u00eas mil pessoas assistindo. Eu comecei a fazer eventos grandes a partir da d\u00e9cada de 80. Sempre vieram grandes mestres, sempre 40, 50 e at\u00e9 mais. Um mega evento que eu fiz aqui, com grande destaque, foi em 2000, um Festival Mundial de Capoeira: \u201cOs melhores do s\u00e9culo.\u201d N\u00f3s tivemos a presen\u00e7a de mais de 90 mestres do mundo presentes. Ent\u00e3o era um neg\u00f3cio que acontecia, sa\u00eda em tudo que \u00e9 revista especializada de Capoeira e at\u00e9 na televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mestre Burgu\u00eas aponta como diferencial do Grupo Muzenza a seriedade com que levam seu trabalho, exigindo dos alunos treinamento e uma preocupa\u00e7\u00e3o acentuada com a performance e com a parte cultural da capoeira. Assume, ainda, a Capoeira como profiss\u00e3o e ensina seus alunos a acreditarem no que est\u00e3o fazendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele poderia viver e vencer com a Capoeira. Ent\u00e3o, acreditar naquilo que faz e passar a acreditar nesta arte-luta e por seguinte enfrentar os obst\u00e1culos do mundo a fora. Procurei formar realmente cidad\u00e3os que acreditasse que ele poderia Vencer na vida. Incentivei muita gente a estudar, tirei muita gente das drogas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os eventos que organizava eram criativos e variados, inclu\u00edam sempre novos elementos (workshops, espet\u00e1culos, v\u00ednculo com o cen\u00e1rio do folclore nordestino e carioca, competi\u00e7\u00e3o) e procurava envolver ao m\u00e1ximo os Capoeiristas que deles participavam: Sempre procurei dar visibilidade a capoeira, de fazer meu trabalho, gravar e colocar no mercado. E a Capoeira de Curitiba cresceu bastante, ficou conhecida no cen\u00e1rio nacional e internacional. Hoje ela est\u00e1 respeitada, gra\u00e7as ao trabalho \u00e1rduo destes primeiros mestres que chegaram aqui na capital paranaense. Eu sempre procurei trabalhar todas as vertentes da Capoeira, a parte cultural, o esporte, a performance, a luta, o ritual, a musicalidade, a pesquisa. Ent\u00e3o eu procuro trabalhar no grupo com todas estas vertentes que a Capoeira nos proporciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da consolida\u00e7\u00e3o em Curitiba, no Paran\u00e1 e no Brasil, o Grupo Muzenza inicia sua expans\u00e3o internacional, que ocorre a partir do ano 1986 &#8211; com o primeiro n\u00facleo internacional: na capital brit\u00e2nica. Hoje, existem integrantes em pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, judaicos , em pa\u00edses asi\u00e1ticos, enfim em todos os continentes. Fui o respons\u00e1vel pela funda\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Paranaense de Capoeira em 1985, tendo sido tamb\u00e9m seu presidente por v\u00e1rios anos. Tamb\u00e9m fui um dos fundadores da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Capoeira, em 1992. Fundei tamb\u00e9m a Superliga Brasileira de Capoeira em 1998. Em agosto de 2006, Mestre Burgu\u00eas muda-se novamente para o Rio de Janeiro, depois de passar por um momento dif\u00edcil de sa\u00fade, buscando ficar mais pr\u00f3ximo de sua m\u00e3e, j\u00e1 idosa, al\u00e9m de retornar as suas ra\u00edzes. Continua organizando eventos importantes, mas agora em v\u00e1rias partes do Brasil que contribuem com a divulga\u00e7\u00e3o cada vez maior da arte\/luta\/jogo. Acrescenta que, mesmo residindo no Rio, mant\u00e9m contato constante com Curitiba, permanecendo com sua academia na cidade, a qual \u00e9 a academia mais antiga de capoeira do sul do Brasil. Para Mestre Burgu\u00eas o significado de Mestre de Capoeira \u00e9 uma pr\u00e1tica que vai al\u00e9m do jogo, da luta e da arte, \u00e9 um espa\u00e7o de cidadania. O que leva o Mestre a ter como meta formar pessoas que tamb\u00e9m colaborem com a melhoria da sociedade: Ser Mestre \u00e9 ser exemplo. Um Mestre de Capoeira tem que ser exemplo de tudo a seus alunos.<br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 ensinar a arte, mas mostrar os melhores caminhos a percorrer para enfrentar a vida. Enfim, criar um cidad\u00e3o realmente. N\u00e3o s\u00f3 que jogue Capoeira, mas que ele realmente possa contribuir com a sociedade. N\u00e3o adianta s\u00f3 ser bom de Capoeira e ter a cabe\u00e7a ruim. Ele tem que saber a arte, saber ensinar. Ter alunos, mas saber direcionar estes alunos. Para formar cidad\u00e3os e poder melhorar a nossa sociedade, o nosso povo, o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando da Capoeira e do lugar que ela ocupa em sua hist\u00f3ria, Mestre Burgu\u00eas nos diz que, embora tenha tido contato com outras lutas, sua vida foi sempre dedicada, exclusivamente, \u00e0 Capoeira. Para ele, vida e Capoeira se misturam e complementam, chegam at\u00e9 a confundir-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo dia eu agrade\u00e7o a Deus por estar na Capoeira. A Capoeira me deu tudo, me deu a minha fam\u00edlia, me deu os meus filhos. Tudo at\u00e9 hoje que eu como \u00e9 a Capoeira que me deu. O patrim\u00f4nio que eu consegui foi com Capoeira. Lutando, trabalhando at\u00e9 hoje. E eu acho que a Capoeira \u00e9 um monstro que est\u00e1 dormindo, na hora que acordar, ela vai conquistar o mundo. Para quem passou fome aqui, comia banana, n\u00e3o tinha dinheiro nem para comprar um p\u00e3o para comer com banana, ent\u00e3o para mim foi uma vit\u00f3ria muito grande. Eu devo tudo \u00e0 Capoeira. Tudo, tudo, tudo mesmo. Eu respiro capoeira, vivo Capoeira, penso em Capoeira, minha mulher \u00e9 Capoeirista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, se a Capoeira deu tudo a Mestre Burgu\u00eas, tamb\u00e9m ele, ao dedicar sua vida \u00e0 Capoeira, contribuiu de maneira incontest\u00e1vel para consolidar a Capoeira em Curitiba, no Paran\u00e1, no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Visite o site pessoal de Mestre Burgues:\u00a0<a title=\"Site Pessoal Mestre Burgues\" href=\"http:\/\/www.mestreburgues.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.mestreburgues.com.br<\/a>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Visite o Canal Oficial YouTube de Mestre Burgues:\u00a0<a title=\"Mestre Burgues Oficial YouTube\" href=\"http:\/\/tiny.cc\/Mestre_Burgues_Canal_Ofic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mestre Burgues Oficial YouTube<\/a><\/strong><\/p>\n\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;]<div class=\"grve-element grve-video\" style=\"margin-bottom: 40px;\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-6WtrHLtYew?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>[\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/6&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] MESTRE BURGU\u00caS Antonio Carlos de Menezes, o Mestre Burgu\u00eas, nasceu no dia 06 de setembro de 1955 na cidade de Laranjeiras, Sergipe. 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